Ipea vai pesquisar quem são os jovens que seguem em abrigos após a maioridade. E por que

Questionário será respondido pelos gestores de 281 instituições que acolhem jovens entre 18 e 29 anos, em todo o Brasil. Resultados vão ser fundamentais para a elaboração de políticas públicas na área de assistência social


Da Comunicação do Ipea | De Brasília (DF)

Identificar a realidade de jovens que, mesmo após completarem 18 anos, continuam vivendo em instituições de acolhimento destinadas a crianças e adolescentes é o objetivo da pesquisa “Jovens que vivem nos serviços de acolhimento de crianças e adolescentes”, a ser realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Esse levantamento de dados busca fornecer subsídios para o aprimoramento das políticas públicas voltadas à transição desses jovens para a vida adulta, visando melhores condições para sua saída dessas instituições.

De acordo com dados do Censo Suas (Sistema Único de Assistência Social) de 2023, há 368 jovens entre 18 e 21 anos vivendo nesses serviços, além de outros 952 adultos entre 22 e 59 anos.

A presença desse público em abrigos infantis revela fragilidades nas políticas de suporte aos egressos do sistema de acolhimento, como a insuficiência de espaços destinados a acolher jovens de 18 a 21 anos.

Em 2018, existiam apenas 30 desses espaços, conhecidos por repúblicas, em todo país; atualmente, o número subiu para 80, ainda insuficientes diante da demanda.

PERFIL DOS JOVENS

A pesquisa, coordenada por Enid Rocha, técnica de planejamento e pesquisa da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, tem como objetivo levantar dados sobre o perfil desses jovens, suas condições de vida e os fatores que contribuem para sua permanência nos abrigos.

Além disso, avaliar a efetividade das políticas públicas existentes, incluindo as repúblicas, as residências inclusivas para pessoas com deficiência e as residências terapêuticas para indivíduos com transtornos mentais graves.

TRANSIÇÃO PARA A VIDA INDEPENDENTE

A iniciativa da pesquisa teve origem a partir da avaliação do Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária, realizada pelo Ipea a pedido do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), que identificou que centenas de jovens continuam vivendo em instituições de acolhimento mesmo após atingirem a maioridade evidenciando as dificuldades dos governos em viabilizar a transição para a vida independente.

“Constatamos que o Estado desconhece o destino de 80% desses jovens (egressos dos serviços de acolhimento de crianças e adolescentes). Pesquisas pontuais indicam que muitos acabam em situação de rua, o que reforça a urgência de medidas para garantir um acompanhamento adequado nesse período de transição”, comenta a pesquisadora Enid Rocha.

Os resultados da pesquisa serão essenciais para orientar políticas públicas mais eficazes, garantindo que esses jovens tenham melhores condições de autonomia e inclusão social após deixarem os serviços de acolhimento.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail: pesquisajovensacolhidos@ipea.gov.br.


Imagem em destaque: foto ilustrativa. Foto de Rõmulo Serpa/ Agência CNJ



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