Esporte precisa romper binarismo de gênero, pede Lorena Berdula

Primeira mulher diretora técnica de futebol na Argentina,  fundadora da escola de futebol feminino do Estudiantes de La Plata, professora e pesquisadora ministrou palestra em seminário internacional em Maringá


Por Wagner de Alcântara Aragão (waasantista.bsky.social) | De Maringá (PR)

O binarismo gênero – que divide a espécie humana em masculino e feminino, determinando características, identidades e papeis a cada um desses dois gêneros – precisa ser contestado e rompido pelo esporte.

Esse e outros pontos em torno do tema “População LGBTQIA+ e as políticas de esporte” foram abordados pela professora e pesquisadora Lorena Irene Berdula, em palestra no VI Seminário Brasileiro de Políticas de Esporte e Lazer (VI SBPel) e I Seminário Internacional de Políticas de Esporte e Lazer (I Sipel).

Os eventos ocorreram entre os dias 26 e 28 de março, em Maringá – as atividades se distribuíram entre o Sesc e a Universidade Estadual de Maringá (UEM). A palestra de Lorena foi realizada na manhã do dia 27, no Teatro do Sesc.

Lorena Berdula é precursora na Argentina, quando o assunto é mulher e futebol profissional.

Ela é a primeira diretora técnica de futebol daquele país. Fundou, em 1997, a escola de futebol feminino do Club Estudiantes de La Plata. Como pesquisadora da Universidad Nacional de La Plata (UNLP) dedica-se a investigações em Educação Física e Esporte na perspectiva de gêneros e sexualidades, a partir de referenciais feministas.

A PERSEGUIÇÃO A ATLETAS TRANS

Na palestra no VI SBPel/ I Sipel, Lorena alertou para o preconceito e pressão – e mesmo perseguição – a que estão sujeitos e sujeitas atletas trans. Contra estes e estas pesam cobranças em torno de supostas diferenças e vantagens nunca exigidas de atletas homens (e brancos, sobretudo).

Ela enumerou diversos casos de atletas mulheres trans que a todo tempo têm seus testes e níveis de testosterona questionados, ao passo que há igualmente diferenças de níveis entre homens, sem que isso seja posto em pauta.

“Que tal, então, estabelecermos testes de testosterona também para atletas homens, e termos as categorias de ‘mais’ e ‘menos’ machos, conforme os diferentes níveis?”, ironizou, de modo a levar o público a refletir sobre o tema.

CASO MICHAEL PHELPS

Lorena citou, como evidência dessas diferenças sem serem problematizadas quando envolvem atletas homens, o caso do ex-nadador estadounidense Michael Phelps.

Quando atleta, Phelps distinguia-se dos adversários pelas condições físicas e de biotipo extraordinárias. No entanto, essa vantagem nunca foi posta em xeque, ao contrário do que se sucede com as atletas trans – acusadas indiscriminadamente de serem beneficiadas por suas condições biológicas.

Superar o binarismo de gênero e entender a diversidade humana compõem a saída para eliminar tal discriminação e promover a inclusão no esporte, reiterou a pesquisadora.

Clique aqui e saiba mais sobre a trajetória acadêmica de Lorena Berdula.

E aqui, para seguir a professora no instagram.

Mais informações sobre o VI SBPel / I Sipel em https://npd.uem.br/eventos/ev/SBPEL.


Imagem em destaque: Lorena Berdula na palestra no VI SBPel/ I Sipel, em Maringá. Foto: waasantista.bsky.social



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